18.4.07

Segunda-feira, 16 de Abril de 2007







Fim de viagem, volta para Barcelona, afinal. Treze dias de viagem, doze horas de trem até casa, onze horas da noite. Afinal tempo. Tempo para lembrar e escrever desses dias.


Primeiro destino: Palma de Mallorca. Cidade de Jesús.


Ainda sem saber o que faria ao certo, comprei apenas passagem de ida para Palma de Mallorca. Jesús e Adrian ficariam apenas quatro dias e voltariam a Barcelona para seguir com suas vidas. Lugar impressionante!

PRIMEIRO DIA: A viagem, o frio, o descanso


Jesús mal chegou e foi ao dentista [hahaaaahaaaaaaaa], estava sem grana e deu o calote nele pela segunda vez: É! É um fenômeno internacional!


Enquanto Jesús sofria, César, seu irmão, nos levou a uma cafetería para comermos algo. Croassans [é, eu escrevo assim!], cafés, cigarros: Dois terços da população espanhola acima de 16 anos fuma. Acima de 18 anos creio que atinja a totalidade.Expectativa de vida da população: Alta, apesar disso. União Européia: Euro. Desigualdade social: Baixa. Conclusão: O sonho de todo periodontista e protesista.


Enquanto Jesús continua sofrendo no dentista, um adendo:



César: Irmão de Jesús, vida de Rei.


Imagine que você está empregado. Mora em uma ilha paradisíaca. Tem sua própria casa e amigos, em sua maioria belas fêmeas, por toda a ilha.


Imagine que você ganha bem. Viaja sempre e tem a posibilidade de conhecer os lugares que tem vontade.


Imagine que seu emprego não te toma muito tempo. Que você pode desenvolver atividades paralelas e ganhar uns extras com isso.


Imagine que você não tem que ir a nenhum escritório. Que só trabalha quando alguém te telefona porque tem algum problema. Imagine que raramente existe algum problema e que, quando o há, o mesmo é resolvido em poucos minutos, pelo telefone.


Imagine que a empresa te dá um telefone-computador de mão com acesso à internet e paga a conta.


Imagine que você é solteiro...


Essa é a vida de César: Irmão de Jesús, vida de Rei.



Passado esse adendo e, se depois dele se você não odeia a sua vida e não quer ler mais nada nunca mais, continuemos...



Jesús sai do ortodontista. Conta rindo o fato de não ter dinheiro e ter dado calote no dentista pela segunda vez. Penso comigo mesmo: Mal sabe ele quantas consultas a mais um ortodontista pode adicionar ao tratamento por causa disso...


Ah, dentistas! Sádicos por profissão. Cruéis por natureza. Vingativos por especialidade. O que mais eu poderia querer ser na vida?


Depois de resolver algumas coisas pela cidade com César, Jesús resolveu nos levar a uma praia, distante, em meio as montanhas. O caminho era um tanto longo, não sei ao certo porque dormi no trajeto. Chegamos, acordei.


Era umas seis ou sete da noite, não estou certo. Em meio as montanhas, vento. Temperatura ambiente? Uns 16 graus. Sensação térmica: Frio, muito frio. Paisagem maravilhosa. Loucura? Até o talo. Roupa de banho? O que é isso?


SIM!


Depois de preparado, com os pés na pedra úmida, jogando água pra cima e cantando "A TONGA DA MIROOONGA DO CABULETÊ..." enquanto dançava de uma forma ridícula que só um frio intenso pode causar pensei: Oportunidade única na vida...


E eis que me atirei em uma água repleta de agulhas mediterrâneas gélidas que insistiam em me lembrar que eu tinha termo e nociceptores por todo um órgão o qual fez questão de me demonstar o quão extenso é: Pele.


O maior frio que já senti na vida. Se tudo correr bem, o mais frio que sentirei. Quase que indescritível: o frio e a leve dor na pele, o sal na boca, a beleza nos olhos, a maresia no nariz e a água no ouvido. A vida no peito, em leve taquicardia.


Jesús veio em seguida, saiu segundos depois: Já havia sofrido demais por um dia.
Adrian é sensato.
Saí, voltei, saí.

Secos. Ao carro. Perto dali, uma outra praia. Entre pedras mais altas. Sentado, aquecendo-me ao olhar o mar, divagando [ambos], a noite caiu e nos levantamos.

Para casa, descanso, merecido.


SEGUNDO DIA: Em busca da batida perfeita

Apesar dos planos de acordar cedo, a noite não dormida anterior, a viagem e o dia insano falaram mais alto. Uma e quinze é um bom horário... Acontecimento raro: Acordei com um leve mal humor.


Fomos almoçar. Restaurante fechado destinamo-nos ao méqui-donalds.

Mal humor + fast-food de "manhã" = falta de fome.

Num quis comer nada, fiquei ohando a praia e tirei umas fotos: Areia!!! Praia com Areia!!
Fomos pra Playa del Mago. Passou o tempo, passou o mal humor.

Praia muito bonita. Pequena. Nudista [como todas em Mallorca]. Em frente a um restaurante. Éramos objeto de atenção dos almoçantes: Os únicos na praia, trages de banho.
César [2º Dan em Judô] risca, com o pé, um círculo na areia. Um menino se aproxima, com um sorriso no rosto, curioso.

Começa o embate:
César versus Jesús.
Jesús versus Adrian.
Adrian versus Luís.
Luís Versus César...

Ainda sem entender como, estava de cabeça pra baixo indo rapidamente em direção ao mar. Outro banho de água fria.Frio, mas gostoso. Nada tão extremo como o dia anterior.

Tempo na água, um pouco de sol na areia. Deixamos a praia mais tarde, enquanto uma jovem espanhola dançava solitária pela areia, brincando com o mar, contentes.

Seis da tarde, hora de comer algo. Paramos em um mercadinho. Pão, jamón, queijo. Passando pelo caixa algo inusitado acontece: SIM! Uma garrafa de Ypióca. Prata, mas ainda Ypióca.
Felizes da vida e com 11 euros em mãos, Jesús e Adrian adquirem um exemplar. A noite prometia: Festa, cachaça... faltavam as Limas.

Limões aqui são diferentes, são amarelos e têm um gosto diferente. Bons, mas não pra fazer uma caipirinha.Os limões brasileiros aqui são limas, um pouco mais difíceis de serem encontradas.

Procurávamos pelas limas quando Jesús cantou algo que havia ouvido na noite anterior: "em busca da batida perfeita". Sem querer, fez sua primeira piada brasileira. Disse a ele o trocadalho que acabara de fazer, achamos graça.

Depois de passar por duas quitandas, nada de limas. Desencanamos e fomos à Hamburguesa, lugar onde se tem uma boa vista da cidade. Farofamos e continuamos atras das limas... em busca da batida perfeita.

O Corte Inglês! No centro da cidade, longe. O único lugar que poderia tê-las. Jesús, ainda que inconformado não exitou. Dirigiu ao centro pra compra-las. Enfim as encontramos!! Felicidade!! Para minha surpresa as limas eram importadas... do Brasil!! Hahahaa!! Só o gelo e o açúcar que não eram da terrinha.



Festa muito boa na casa de César. Muita gente, muita música, muitas espanholas. E eu de Bartender.... fiz mais caipirinhas nesse dia do que todas que tomei até hoje. Acabou a Ypioca, dá-lhe caipirosca!

Umas três da manhã acabou a festa. César ficou em casa, Jesús, Adrian e eu extendemos mais um pouco a noite. Chegamos cedo em casa...


TERCEIRO DIA: Novo amor em minha vida.

Depois de um dia tão grande, nada com uma boa manhã e parte da tarde de sono. Dia tranquilo. Fomos ao Castelo de Mallorca. Já estava fechado, porque estava tarde.

Tiramos umas fotos, conversamos. Fomos pra uma praia ao entardecer e depois para casa cozinhar.


Adrian assumiu a cozinha! Bem loca a comida. Um cozidão de lentilhas com carne de tudo quanto é tipo. Tava bom.

Chegou Roger, um amigo de César, psicólogo. Figuraça! Armazenamento de cultura inútil e útil impressionante. Ainda chego lá... tenho tempo.

Aprendi a jogar pôquer, com dados! Uma espécie de "duvido" ou "mentiroso" não sei. Perdedores às doses. Rodadas e rodadas e rodadas depois, estavam todos rodando. Perdi bem!

Depois de tanta jogatina, hora de jogar conversa fora e tomar alguma coisa. Roger fez uma bebida muito boa, característica de Menorca: Uma batida de limones com um gim diferente chamado xuriguer, creio. Parece caipirinha, com um sabor desse gim.

Para encerrar a madrugada, eis que me apresentaram o novo amor em minha vida: Adendo

Chegou ela, tarde da noite, com jeito de que todos a estavam esperando. Típico. Encantadora...Deslumbrante em suas formas, sabia que todos olhavam fixamente para o verde que levava em seu corpo.

Levava uma certa convicção que àquela altura da noite dificilmente alguém a arriscaria. Enganou-se. Sua fama fez que me atrevesse.

Enganou-se mas não retrocedeu. Levemente doce, como se vertida sobre um torrão de açúcar, fez-se fogo. Ao consumir-se fez da sólida doçura algo líquido, vivo, voluptuoso; ao mesmo tempo fez todos os olhares tornarem-se mais atrevidos, desejosos, admirados.

Percebendo a situação, apagou-se. Banhou-se em frente a todos em água e gelo, desinibida, natural, suave. Parecia-me que, complacente, diluía seu espírito para estar ao meu alcance.

Estava certa.

Por entre investidas delicadas, sentia-se o seu cheiro, seu gosto por toda a madrugada. Foi-se. Esgotada.

Não deixou lembranças pela manhã, como todos desejam, mas voltou a nos visitar na noite seguinte. Ah!! La Absinta...

QUARTO DIA: A estrada, a praia, o regresso.


Dia rodando. De carro percorremos a estrada mais aleatória que eu já vi na vida. Um dia retorno a ela com uma moto: Sá de Calobra. Curvas infinitas montanha adentro. Paisagem alucinante. No final dela outra praia feia...






Estava frio, de novo, mas não exitei. Gato escaldado...Horas depois estávamos em um mirador, ao norte da ilha. Minha câmera já não tinha bateria e preciso pegar essas fotos com o pessoal. Fora do normal. Não há muito o que dizer.

Voltamos um pouco apressados. Jesús e Adrian voltariam para Barcelona. Como eu ainda não havia decidido o que ia fazer da vida e estava encantado [ainda estou] com a ilha resolvi ficar por lá.
Não vou descrever os outros dias... Seria muito extenso e tudo mais. Por tópicos, algumas coisas:
- Jantar com uns amigos de César

- Jogar conversa fora e tomar umas cubas com umas espanholas

- Noitada em boate [por incrível que pareça...]

- Cidade e porto de Soller

- Casas e casas construídas e em reforma de Mallorca

- Festa de aniversário de um pessoal das Astúrias.





- Puro Beach

- Disputas de pebolín em um bar [os caras são impressionantes!]

- Lambruscos

- Decoração alternativa das paredes da casa de César

- KEBAB!

- Museu de Miró

- Museu da história da cidade no Castelo de Mallorca

- Janta: Dourado assado no sal grosso; acompanhado com salada de espinafre com champinhôm, tomate e queijo de cabra; e mais umas batatas cozidas com molho picón; Pães; Lambrusco.

Essa foi a Última Ceia. Logo depois fui-me a Almería e Granada, história em próximos postes.

2 comentários:

Mikhailovitch disse...

puta que o pariu, quanta coisa... até me atrasei pra aula.. tenho q ir.

Aquele abalo
Marcel

Anônimo disse...

Opa... deixa eu comentar aki....
Gostei das fotos, mais ainda falta o post novo, huh?
bjo bjo!